Eu escrevo.
Escrevo sobre o meu nada.
Escrevo sobre meu tudo. Aquele tudo inalcançável, aquele
tudo que escapa.
Aquele tudo que me move e me angustia.
Que tudo é esse?
Fico matutando todo esse tanto que não consigo explicar.
Precisa explicar?
(Não) decido agir. Depois fico olhando para meus atos com
uma estranheza desconhecida: “ué, mas de onde veio isso?”. Não sei explicar.
Não consigo explicar. Talvez seja por isso que gosto tanto de escre-ver.
Para continuar encarando minha estranheza. Para assistir o deslizar da caneta
que dança sozinha.
Mas confesso. Fico um tanto preocupada. Vai que esse tudo me
inunda e me afoga? Antes eu me afogava no seco das não-palavras. Ou seria das
palavras específicas?
Acho que prefiro essas palavras novas.
Talvez ainda sobre um pouco das antigas.
Não sei.
Rio de Janeiro, 13 de agosto de 2019
(Lojas Americanas em Copacabana)
Nenhum comentário:
Postar um comentário