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quarta-feira, julho 03, 2019

A Cela

Tive um sonho estranho. Um sonho ruim.
Ah, esses sonhos... Despertam tanto em mim...
Não é fácil tentar achar um sentido para eles.
Não porque não sei o que pensar. Mas sim porque dói.
Tem muita coisa entalada ainda. Muito a dizer.
Muitas vezes me pego a ponto de chorar. Mas não me permito.
Tento compensar a tristeza com a raiva.
Deveria estar só triste, mas não suporto minha tristeza.
Pensando bem, a raiva (também) é de mim mesma.
Como é que cheguei a esse ponto?
O medo de ficar vulnerável, o medo de me expor, o medo de não ser amada...
Tantos medos me fizeram prisioneira de mim mesma.
Vou até mim, abro a cela. Mas não me reconheço.
Talvez depois de um tempo isso seja possível.
É, às vezes eu consigo me enxergar em meu olhar. Vejo por uma fração de segundo todas as Anas ao longo desses 26 anos. Não me sinto exatamente como nenhuma delas, mas ao mesmo tempo me sinto como todas.
Todas são eu. E sou todas elas.

terça-feira, junho 25, 2019

Bagunça

Estou uma bagunça.
Antes eu já era, mas não sabia.
Tudo tão bem organizado em caixinhas etiquetadas.
Resolvi abrir uma. Percebi que a etiqueta não fazia sentido nenhum com o que tinha dentro.
E, por algum motivo, esqueci a relação por trás de cada peça da caixinha.
Resolvi abrir mais caixinhas em busca de encontrar a suposta lógica perdida.
Não tinha lógica.
Respirei fundo. Absorta.
O que fazer?
Repensar a minha lógica? Tentar achar outra?
Talvez recriar essa lógica ilógica?
Enquanto isso, remexo as peças, recombino umas com as outras, penso em me desfazer de umas e tentar conseguir outras.
Enquanto isso, admiro a beleza da bagunça ao mesmo tempo que me angustio e sonho com tudo em seu lugar.
Talvez seja meio chato, no fim das contas.
Tudo tão organizado em caixinhas tão bem guardadas. Escondendo a singularidade de cada pecinha.
Talvez fazer um mural?
Não, elas são minhas.
Tá bom, pode olhar um pouquinho.


quinta-feira, junho 20, 2019

Voltei?

Estou considerando voltar a escrever.
Eu escrevia tanto... Por que deixei de escrever?
Dizia eu para mim mesma que era a rotina pesada. Falta de inspiração.
Mas acho que, na verdade, eu não estava mais me permitindo fazer uma viagem a mim mesma.
Não escrever é não sentir.
Não escrever é não pensar.
Estava fugindo dessa conversa com o papel por não saber lidar com tudo que acontece em mim.
Uma tentativa de viver anestesiada.
Escrever, pra mim, é tocar na dor. É me deparar com aquilo que mais tento fugir. É tentar encontrar a minha verdade. É me expor para mim mesma.

Mas também esqueci dos prazeres da escrita.
Posso refletir, balancear, elaborar... E me conectar com tudo aquilo que é difícil formular em palavras. Mesmo que no fim das contas eu não consiga encontrá-las, ao menos eu tentei.
Também é uma forma de convidar o outro a me conhecer. Eu adorava a troca que isso gerava.

Ah, e escrever não precisa ser apenas tocar na dor. Ao abrir mão desse conflito, também abdiquei das delícias de amor e do dia-a-dia .

É, acho que estou pronta para retomar essa viagem.